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Não é pelos R$5,50

A tarifa de ônibus em Curitiba, que dobrou em uma década, sofreu novo reajuste nesse início de março, se tornando a capital com a passagem mais cara do país.

POR: REQUIÃO FILHO


Todo ano é a mesma história: as empresas de ônibus em Curitiba alegam que a tarifa já não é suficiente para cobrir os custos e, então, ganham reajuste da prefeitura. Enquanto isso, o salário dos usuários continua deflacionado, sofrendo diretamente com o aumento da água, da luz, do gás e do preço dos alimentos.

Em 2012, a tarifa era de R$2,60 e, 10 anos depois, em 2022, sofreu o maior reajuste da década, alcançando o valor de R$5,50. O argumento para o aumento absurdo, em tese, seria a diminuição do número de usuários e o aumento no combustível. Mas o reflexo no bolso dos consumidores e nas empresas (já que o vale-transporte corresponde a metade das passagens utilizadas) é direto, e piora ainda mais a situação daqueles que vivem na capital paranaense.

Para tornar tudo ainda mais difícil, várias linhas foram cortadas. Logo, o que temos visto são ônibus cada vez mais lotados em horários de pico, sem qualquer conforto que justifique esse aumento na tarifa para os usuários.


A crise, então, acaba sendo mais severa para apenas uma parcela da população, o que inverte toda a lógica da concessão pública, que deveria priorizar o interesse coletivo ao invés do interesse das concessionárias.


Mas a situação poderia ser outra. Se existisse vontade política, poderia ser implantando um transporte coletivo municipalizado, com tarifa acessível para todos. De forma mais light, sem qualquer radicalização, a prefeitura poderia aumentar o subsídio com auxílio do Governo do Estado (mas este anda ocupado demais, fazendo nada) e, ainda, poderia existir subsídio federal para os idosos, deficientes e estudantes. Assim, a tarifa ficaria mais baixa, sem tantos prejuízos para os pequenos empresários e os trabalhadores.


De forma ainda mais leve, o município poderia ao menos exigir melhorias no transporte, com mais ônibus disponíveis ou, ao menos, de tempos em tempos, uma frota nova. O conforto acabaria compensando a tarifa absurda!

Portanto, não é só pelos R$5,50, mas sim por uma administração que priorize a coletividade, já que só de parque e asfalto ninguém consegue sobreviver.



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