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Em Nota, Oposição defende endurecimento do isolamento social e testagem em massa da população

Os deputados de oposição na Assembleia Legislativa (Alep) divulgaram nesta quarta-feira (17) uma Nota Oficial em que demonstram preocupação com a rápida evolução da pandemia do coronavírus (Covid-19) nos últimos dias em todas as regiões do Paraná.

Os parlamentares defendem o endurecimento do isolamento social e a implementação de uma política de testagem em massa da população para o vírus.


Nota Oficial da Bancada de Oposição sobre o avanço do Covid-19 no Paraná


Considerando a rápida evolução da pandemia do coronavírus no Paraná nos últimos dias, a Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) manifesta o que segue:


– Desde fevereiro, antes do primeiro caso de Covid-19 ser registrado no Paraná, os deputados de oposição vem sistematicamente alertando o governo do Estado sobre a importância do isolamento, distanciamento social e testagem em massa da população como forma mais eficaz no combate à propagação do vírus, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS);


– Há algumas semanas, governo do Estado e Prefeituras passaram a flexibilizar o isolamento, autorizando o retorno de atividades não essenciais, de forma que a doença passou a avançar rapidamente. A flexibilização do isolamento antes mesmo do Estado atingir o pico de contágio foi uma decisão política e contrária a recomendações técnicas de infectologistas, demais  especialistas e da OMS;


– Na última semana, a taxa de reprodução do vírus chegou a 1,51, uma tendência de alta que teve início no dia 12 de maio. Isso quer dizer que, atualmente, cada dois paranaenses contaminados está infectando outras três pessoas, segundo estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Hospital de Clínicas de Curitiba. Temos, neste momento, a terceira pior taxa de reprodução do vírus do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso do Sul (2,82) e do Mato Grosso (1,59);


– A explosão da pandemia vem pressionando o sistema de saúde de diversas regiões. Em Cascavel, médicos alertaram que o sistema já atingiu o limite da capacidade e se aproxima do colapso. Em Curitiba, a taxa de ocupação dos leitos de UTI do Covid-19 no Hospital das Clínicas, por exemplo, tem flutuado entre 80% e 100% desde a semana passada. Em quase todas as regiões do Paraná, o sistema de saúde opera atualmente com 80% ou mais dos leitos para Covid-19 ocupados, uma situação extremamente preocupante;


– Contrariando orientação da OMS, o Paraná realiza poucos testes de Covid-19. Com 54.555 testes até 15 de junho, índice de 4,8 mil por milhão de habitantes, estamos entre os Estados com menor índice de testagem por milhão de habitantes (no Brasil, este número é de 7,5 mil/milhão). Quinta economia do País, realizamos menos testes que Santa Catarina (8,4 mil testes por milhão), Bahia (10,1 mil/milhão), Pernambuco (8,9 mil/milhão) e Rio Grande do Norte 10,6 mil/milhão. Também testamos menos que países da África como África do Sul (19 mil por milhão de habitantes), Marrocos (11,9 mil/milhão) Gana (8,1 mil/milhão) e Ruanda (7,2 mil/milhão) e Tunísia (5,1 mil/milhão);


– É importante ressaltar que o Paraná conta com uma rede de universidades estaduais extremamente qualificada. Diversas universidades já se disponibilizaram a realizar testes de Covid-19. Contudo, não houve uma política efetiva do governo do Estado no sentido de apoiar e dar celeridade na aprovação dos trâmites técnicos necessários para que as instituições possam contribuir no enfrentamento à pandemia. Atualmente, apenas a Universidade Estadual de Londrina (UEL) está realizando testes para o coronavírus e a Universidade Estadual de Maringá (UEM) já conseguiu qualificar seu laboratório junto ao LACEN. As demais  ainda não foram incorporadas ao esforço de ampliação da testagem;


– A ausência de uma política de testagem fica evidente no aumento das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por causas não especificadas. Até 18 de março, os óbitos classificados nesta categoria eram de apenas 31 no Paraná. A partir desta data até 10 de junho, este número saltou para 1.173, ou seja, houve entre março e junho 1.042 óbitos classificados como SRAG – causas não especificadas. Segundo especialistas, quanto maior a proporção da população que se sabe ter sido contagiada pelo coronavírus, menor a proporção de mortes atribuídas a causas respiratórias não especificadas. Assim, quanto mais ampla a testagem aplicada por um sistema de saúde, mais casos poucos graves são detectados e maior tende ser a taxa de infecções confirmadas. Os números oficiais da Secretaria de Saúde (Sesa) relativos ao dia 15 de junho, contudo, mostram que o Paraná é o Estado com menor índice de infecção pelo Covid-19 do Brasil, com 9,7 mil casos e 334 mortes, ou seja, 85 infectados a cada 100 mil habitantes, enquanto a taxa de infecção no Brasil é de 422,7 infectados para cada 100 mil habitantes. Estes dados são alarmantes, pois apontam para a subnotificação de casos de Covid-19 no Paraná;


– Para frear a evolução da pandemia e reestabelecer o equilíbrio no sistema de saúde, que está próximo do colapso, o governo do Estado precisa adotar imediatamente, com muita firmeza, o isolamento e distanciamento social, além de uma política vigorosa de testagem em massa e descentralizada da população, seguindo os preceitos da Organização Mundial de Saúde para o enfrentamento da pandemia.


Curitiba, 17 de junho de 2020.


Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná

Deputado Professor Lemos (PT) – Líder

Deputado Anibelli Neto (MDB)

Deputado Arilson Chiorato (PT)

Deputado Goura (PDT)

Deputada Luciana Rafagnin (PT)

Deputado Requião Filho (MDB)

Deputado Tadeu Veneri (PT)

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