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Crônica de um Governo Atrapalhado

Ratinho Júnior foi eleito com bela pose e sob o manto de discursos fortes. Mas com o passar dos tempos, só demonstra o quão atrapalhada pode ser uma gestão sem compromisso com o interesse público.


(Por: Requião Filho) - Artigo publicado originalmente em Blog do Esmael


Desde o início do mandato do atual governo, o vaivém de Projetos de Lei de autoria do Executivo não param. O interessante é que a voracidade de se ver implantar seus objetivos nem sempre caminham ao lado da técnica e formalidade necessárias, ou seja, é muito comum que aconteçam “escorregadas”, na pressa de posar para novas fotos.

Nessa corrida para garantir a manchete perfeita, o Executivo se afoba como um principiante inexperiente, que quer mostrar serviço, mas não pesquisa direito se aquilo que está impondo aos paranaenses faz sentido ou se tem embasamento legal. É um governo que esbarra nos erros de uma equipe despreparada e ansiosa… e eu garanto que não estou exagerando! Nesses dois últimos anos, foram vários os projetos que chegaram até a Assembleia Legislativa com erros e impropriedades que, muitas vezes, obrigaram o próprio Governo ou os Deputados de sua base a retirar, suspender ou modificar o texto original. Por exemplo, para não citar novamente as escolas cívico-militares, temos a Lei Orçamentária de 2021 (PL 248/2020), que costuma ser votada até a metade do ano, mas acabou por ser votada só no final do ano, devido a inúmeras mudanças e ausência de planejamento; também, no início do Governo, ocorreu a Reforma Administrativa (PL 378/2019), que foi protocolada e, logo em seguida, foi enviado novo texto pelo Governador, informando a existência de vários erros básicos na redação do Projeto. Não bastasse isso, ainda foi aprovado o Programa Paraná Energia Rural Renovável (PL 657/2020), que revogava a energia mais barata para os agricultores e, mais uma vez, necessitou de inúmeras mudanças para se adequar a realidade do Estado.

Também existiram vários projetos elaborados apenas para inglês ver, como o PL 136/2019, que instituiu o “Programa de Integridade e Compliance”, mas que na prática não trouxe qualquer mudança real para a administração. O nome ficou bonito na manchete, mas na prática não houve aplicação, pois diferente de uma empresa do setor privado que precisa de um procedimento assim para se adequar às normas, o governo tem por obrigação determinado por Lei seguir o que diz a Constituição.

Ou seja, temos um governo atrapalhado, ansioso, sem compromisso com o interesse público, apenas com likes nas redes sociais. Um governo que envia projetos redigidos às pressas, os aprova com ainda mais afobação, sem qualquer debate, sem o tempo necessário de maturação de ideias e, logo em seguida ao protocolo ou a aprovação, precisa novamente colocá-los em votação, para serem alterados ou arrumados dentro da Assembleia Legislativa.

Assim como a vacina russa, a Sputnik, recebeu o nome de um satélite e acabou indo para o espaço (não sendo nunca mais visto), percebemos que as próprias bandeiras deste governo trapalhão não foram tratadas com o cuidado necessário, com o compromisso assumido com a população e, em especial, com os seus eleitores, que naquele momento optaram por uma administração que não prima pelo interesse público.

Continua sobrando discurso e faltando emprego, comida e saúde para o Paraná.


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